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Bom, foi solicitado que eu elaborasse mais um tópico de suspensões.
Embora não ser nenhum "expert" no assunto, já me apanhei muito com meus
erros de projeto e execução, suficiente para pelo menos passar algumas
dicas em o que NÃO fazer...... :P Esta vez falarei um pouco sobre o
"bumpsteer", o quê que é, suas sintomas e como diminuÃ-lo ou até
eliminá-lo....
O bumpsteer resulta quando a barra link (tie rod) e a barra de direção
(drag link) não funcionam em sincronismo com o sistema de suspensão.
Dependendo do sistemas de direção e suspensão incorporados, os detalhes
do problema e as soluções poderiam ser diferentes.
O movimento de um suspensão é controlado pelas barras do sistema. No
caso de um sistema com molas helicoidais, são muitas as configurações,
mas são geralmente dois tipos, um sendo 02 braços longitudinais em
combinação com uma barra panhard, o outro sendo 03 ou 04 braços sem
panhard. Num sistema com feixes de mola, são os próprios feixes que
fazem o serviço dos braços de mater o eixo posicionado. Pois bem, agora
temos que considerar o que acontece quando a suspensão mexe. Vamos
começar com uma suspensão de feixe de molas.
Num sistema feixe, é fácil perceber que durante uma alteração relativa
de altura entre o chassis e o eixo (passando por cima de uma lombada,
por exemplo), o eixo sobe "perfeitamente" no vertical. Mas olha para
aquela barra de direção naquele ângulo absurdo do horizontal. Quando a
suspensão sobe no vertical, essa barra a segue na ponta ligada ao eixo.
Porém, a ponta ligada ao setor de direção fica onde estava. Resultado:
A barra de direção se aproxima mais ao horizontal, ficando mais
"comprida" em sua projeção paralelo ao chão. Mas como a ponta ligada ao
eixo não pode se deslocar no horizontal para compensar (lembre-se das
restrições impostas pelos feixes), o deslocamento ocorre na outra
ponta, no setor. E o que está conectado diretamente ao setor?? Sim, o
volante, que assim parece de girar por conta própria........
Agora, vamos considerar um sistema "02 link com panhard". Nesse caso,
ao invés do eixo ser mantido na sua posição por dispositivos que
limitem o movimento somente no vertical, a panhard restringe o
movimento em um arco definido pelo comprimento dessa barra. Ou seja,
quando o eixo desce, a barra faz com que o eixo se desloca
transversalmente. E durante esse deslocamento que ocorre o mesmo efeito
mencionado em cima, o volante gira por conta própria.
OBS: Num sistema "multi-link sem panhard", a suspensão se comporta
igual ao feixe de molas quando fala de bumpsteer, pois o movimento de
suspensão é puramente vertical.
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Então, como solucionar o problema??
Em sistemas feixe e multi-link sem panhard, é essencial que a barra de
direção seja o mais horizontal possÃvel. Não há como escapar disso,
pelo menos por meios convencionais. E para manter essa barra no
horizontal, se pode ou abaixar a onta do setor ou levantar a ponta do
munhão. O melhor depende das interferências mecânicas encontradas.
Em sistemas com panhard, a solução é outra. Nesse caso, são duas
considerações. Sim, a barra de direção deve aproximar o horizontal
quanto possÃvel. Mas de ficar no horizontal não é tão importante quanto
no exemplo anterior. O que é de suma inportância é que a barra de
direção esteja paralela à barra panhard para que essas duas barras
oscilam juntos, assim compensando em conjunto o deslocamento
transversal do eixo. O motorista não deixa de sentir o movimento
lateral provocado por não ter as barras no horizontal, mas ele sente no
carro inteiro e não apenas no volante. Assim, a situação é mais
controlável.
O que não deveria ser feito num veÃculo com bumpsteer, independente do
sistema, é tentar corrigir os movimentos no volante. Deixe o volante
girar por conta própria, pois se você tentar evitar o giro, você acaba
transferindo o deslocamento para o sistema de direção e pode perder
controle do veÃculo facilmente.   
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